quarta-feira, 30 de junho de 2010

Antes, Durante e Depois

Se eu demorar a chegar não me ligue
Não de a menor importância
Sequer se irrite com isso
Apenas parta sem mim

Se eu chegar agora não me beije
Não precisa sorrir ou falar
Nem sequer olhe pra mim
Mas toque na minha mão

Se eu por acaso permanecer não repare
Não precisa prestar atenção
Não comente a meu respeito
Mas se puder me toque uma canção

Se eu me for agora não se despeça
Não chore de dor ou saudade
Nem fale bem de mim
Apenas lembre que estive aqui

Mas se eu provocar saudade então lembre
Reveja as fotos, leia as palavras
Mas não encare como o fim
Apenas guarde com cuidado
Cada pedaço de mim

terça-feira, 8 de junho de 2010

Poesia Enamorada para Pessoas Sós by Fábio Batalha

Beije-se
Sinta sua pele
Acaricie sua própria face
Aperte-se

Mire-se
Atente ao que vê
Atravesse suas barreiras
Inspire

Respire
Solte um gemido
Faça das mãos um deleite
Transpire

Goze
De maneira lenta
Cerrando seus olhos
....
Faça tudo outra vez

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Ditados INpopulares - por Fábio Batalha

Nem todo pecado mora ao lado
Quase nunca se da à outra face
Todo santo tem pés de barro
Quase sempre o ponto acaba a frase.

Quase todo pau é oco
Quem fere com ferro, nem sempre é ferido
Nem todo galho nasce torto
Antes só que mal assistido

Chutar cachorro morto é fácil
A sorte de um é o azar do outro
Caiu do cavalo um tanto grácil
Nem tudo que reluz é ouro

Nem todo ditado é claro
Nem todo sentido é dito
Nem todo caso é acaso’
Nem todo motivo é lido

Amigo faz negócio à parte
Cada cabeça tem uma sentença
Calar a boca virou arte
A ignorância é uma benção

Quem espera sempre alcança
Quem não arrisca não petisca
Quem quer vai ou manda
Esmola demais o santo desconfia

Pimenta no do outro é refresco
Para frente é que se anda
De boa intenção o inferno tá cheio
De grão em grão se enche a pança

Nem todo ditado é claro
Nem todo sentido é dito
Nem todo caso é acaso
Nem todo motivo é lido

A ocasião faz o ladrão
Para narciso bonito é espelho
A pressa é inimiga da perfeição
E muito lobo em pele de cordeiro

Nem todo cão que ladra morde
Cavalo dado não se olha os dentes
Nem todo mal que vem é sorte
Toca em frente que atrás vem gente

Filho de peixe nada bem
Macaco velho corre de cumbuca
O bom filho pra casa vem
Cutucar a onça com vara curta

Quem não arrisca não petisca
A noite todo gato é pardo
E a ovelha negra da família
Vê o barato sair caro

Nem todo ditado é claro
Nem todo sentido é dito
Nem todo caso é acaso
Nem todo motivo é lido

Mas quem não deve não teme
Quem não tem cão, caça com gato
Quem nunca comeu melado,
quando come se lambuza.
Tudo que é bom dura pouco
Mas antes tarde do que nunca

sábado, 27 de março de 2010

Letra e Música - Fábio Alexandre Batalha

Todo momento tem sua canção
E cada momento um estrofe
Vários momentos têm uma letra
E quase toda letra tem o seu refrão

Toda lágrima vira nota tocada
Cada drama um acorde sem dó
Toda alegria pode ser descompassada
Mas todo riso tem a sua escala

Cada passo dado pode ser orquestrado
Um pensamento pode ser sustenido
Um gesto pode ser cantado
Cada tropeço tem um tom meio engraçado

Cada palavra toada termina igual à outra
Cada rima entoada será igual à próxima
A frase dita será igual à risada frouxa
E a cantada será leve e solta

Há sempre uma rima para o que se diz
Há sempre uma canção pra cada momento
Há um nota em tudo que fiz
Mas nem toda canção é feliz.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Ente - Fábio Alexandre Batalha

não se vê lágrimas sob a chuva
Nem sombras no escuro
Não há peso n’água
Nem oxigênio no suspiro

Um momento não é sentido
Os minutos são esquecidos
Não se sente a presença
Do que invade todos os sentidos

Como se sente?
Ainda se sente?
Há rima ausente?
Qual é a semente?

Não se esquiva do tempo
Quem se desvia do dia seguinte?
Todo mundo nasce rebento
Nem todo mundo tem fome

Quem deita tem sono
Quem sofre o faz acordado
Mas todos se deitam
Aproveitando o regalo

Como se sente?
Ainda se sente?
Há rima ausente?
Qual é a semente?

quarta-feira, 24 de março de 2010

SEGUNDA VINDA (Second Coming) - William Butler Yeats (1920)

Girando e girando no círculo que se alarga
O falcão não pode ouvir o falcoeiro;
As coisas despedaçam-se; o centro não pode segurar
Mera anarquia é solta sobre o mundo,
A maré turva de sangue é solta, e em todos lugares
A cerimônia da inocência é afogada;
Aos melhores falta toda convicção, enquanto os piores
Estão cheios de intensidade apaixonada.
Certamente alguma revelação está próxima;
Certamente a Segunda Vinda está próxima.
A Segunda Vinda! Mal essas palavras são proferidas
Quando uma vasta imagem vinda do Spiritus Mundi
Dificulta minha visão: em algum lugar em areias do deserto
Uma forma com corpo de leão e a cabeça de um homem,
Um olhar vazio e impiedoso como o sol,
Está movendo suas lentas coxas, enquanto sobre toda ela
Oscilam sombras de indignados pássaros do deserto.
A escuridão cai novamente; mas agora eu sei
Que vinte séculos de sono profundo
Irromperam-se em pesadelo por um berço oscilante,
E qual besta bruta, sua hora finalmente chegada,
Arrasta-se em direção a Belém para nascer?

segunda-feira, 8 de março de 2010

Energia Negativa... Ou Rastro de Côrno Gordo.

Nas minhas “profundas” observações a respeito da natureza humana e seus mistérios tenho me deparado com um tipo de fenômeno que atinge a todos os homens esporadicamente em determinados momentos de sua vida adulta. O mistério da baixa carga energética, a qual prefiro chamar de “rastro de côrno gordo”... Uma fase chata que acontece sempre após o termino de um namoro. Quem é homem conhece bem. O sujeito em questão esta namorando, a mulherada se atira a seus pés, despencam de arvores, se tornam as rainhas da ousadia. Ficou solteiro? Desaparecem do mapa. É impressionante. Antigas fãs se tornam verdadeiros blocos de gelo e te tratam com uma indiferença colossal. Quando mais novos, nos angustiamos, descabelamos, despentelhamos... Em suma, nos corroemos em ansiedade e agonizamos em martírios solitários regados a cinco dedos. Até que então os céus se apiedam e enviam um anjo de saias pra nos salvar. E eis que, enfim salvos, fazemos o que nossa natureza masculina e falha manda, enfiamos o pé na jaca de novo e pisamos em um novo rastro de côrno. E haja côrno, afffffffffff.