Nem todo pecado mora ao lado
Quase nunca se da à outra face
Todo santo tem pés de barro
Quase sempre o ponto acaba a frase.
Quase todo pau é oco
Quem fere com ferro, nem sempre é ferido
Nem todo galho nasce torto
Antes só que mal assistido
Chutar cachorro morto é fácil
A sorte de um é o azar do outro
Caiu do cavalo um tanto grácil
Nem tudo que reluz é ouro
Nem todo ditado é claro
Nem todo sentido é dito
Nem todo caso é acaso’
Nem todo motivo é lido
Amigo faz negócio à parte
Cada cabeça tem uma sentença
Calar a boca virou arte
A ignorância é uma benção
Quem espera sempre alcança
Quem não arrisca não petisca
Quem quer vai ou manda
Esmola demais o santo desconfia
Pimenta no do outro é refresco
Para frente é que se anda
De boa intenção o inferno tá cheio
De grão em grão se enche a pança
Nem todo ditado é claro
Nem todo sentido é dito
Nem todo caso é acaso
Nem todo motivo é lido
A ocasião faz o ladrão
Para narciso bonito é espelho
A pressa é inimiga da perfeição
E muito lobo em pele de cordeiro
Nem todo cão que ladra morde
Cavalo dado não se olha os dentes
Nem todo mal que vem é sorte
Toca em frente que atrás vem gente
Filho de peixe nada bem
Macaco velho corre de cumbuca
O bom filho pra casa vem
Cutucar a onça com vara curta
Quem não arrisca não petisca
A noite todo gato é pardo
E a ovelha negra da família
Vê o barato sair caro
Nem todo ditado é claro
Nem todo sentido é dito
Nem todo caso é acaso
Nem todo motivo é lido
Mas quem não deve não teme
Quem não tem cão, caça com gato
Quem nunca comeu melado,
quando come se lambuza.
Tudo que é bom dura pouco
Mas antes tarde do que nunca
quinta-feira, 6 de maio de 2010
sábado, 27 de março de 2010
Letra e Música - Fábio Alexandre Batalha
Todo momento tem sua canção
E cada momento um estrofe
Vários momentos têm uma letra
E quase toda letra tem o seu refrão
Toda lágrima vira nota tocada
Cada drama um acorde sem dó
Toda alegria pode ser descompassada
Mas todo riso tem a sua escala
Cada passo dado pode ser orquestrado
Um pensamento pode ser sustenido
Um gesto pode ser cantado
Cada tropeço tem um tom meio engraçado
Cada palavra toada termina igual à outra
Cada rima entoada será igual à próxima
A frase dita será igual à risada frouxa
E a cantada será leve e solta
Há sempre uma rima para o que se diz
Há sempre uma canção pra cada momento
Há um nota em tudo que fiz
Mas nem toda canção é feliz.
E cada momento um estrofe
Vários momentos têm uma letra
E quase toda letra tem o seu refrão
Toda lágrima vira nota tocada
Cada drama um acorde sem dó
Toda alegria pode ser descompassada
Mas todo riso tem a sua escala
Cada passo dado pode ser orquestrado
Um pensamento pode ser sustenido
Um gesto pode ser cantado
Cada tropeço tem um tom meio engraçado
Cada palavra toada termina igual à outra
Cada rima entoada será igual à próxima
A frase dita será igual à risada frouxa
E a cantada será leve e solta
Há sempre uma rima para o que se diz
Há sempre uma canção pra cada momento
Há um nota em tudo que fiz
Mas nem toda canção é feliz.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Ente - Fábio Alexandre Batalha
não se vê lágrimas sob a chuva
Nem sombras no escuro
Não há peso n’água
Nem oxigênio no suspiro
Um momento não é sentido
Os minutos são esquecidos
Não se sente a presença
Do que invade todos os sentidos
Como se sente?
Ainda se sente?
Há rima ausente?
Qual é a semente?
Não se esquiva do tempo
Quem se desvia do dia seguinte?
Todo mundo nasce rebento
Nem todo mundo tem fome
Quem deita tem sono
Quem sofre o faz acordado
Mas todos se deitam
Aproveitando o regalo
Como se sente?
Ainda se sente?
Há rima ausente?
Qual é a semente?
Nem sombras no escuro
Não há peso n’água
Nem oxigênio no suspiro
Um momento não é sentido
Os minutos são esquecidos
Não se sente a presença
Do que invade todos os sentidos
Como se sente?
Ainda se sente?
Há rima ausente?
Qual é a semente?
Não se esquiva do tempo
Quem se desvia do dia seguinte?
Todo mundo nasce rebento
Nem todo mundo tem fome
Quem deita tem sono
Quem sofre o faz acordado
Mas todos se deitam
Aproveitando o regalo
Como se sente?
Ainda se sente?
Há rima ausente?
Qual é a semente?
quarta-feira, 24 de março de 2010
SEGUNDA VINDA (Second Coming) - William Butler Yeats (1920)
Girando e girando no círculo que se alarga
O falcão não pode ouvir o falcoeiro;
As coisas despedaçam-se; o centro não pode segurar
Mera anarquia é solta sobre o mundo,
A maré turva de sangue é solta, e em todos lugares
A cerimônia da inocência é afogada;
Aos melhores falta toda convicção, enquanto os piores
Estão cheios de intensidade apaixonada.
Certamente alguma revelação está próxima;
Certamente a Segunda Vinda está próxima.
A Segunda Vinda! Mal essas palavras são proferidas
Quando uma vasta imagem vinda do Spiritus Mundi
Dificulta minha visão: em algum lugar em areias do deserto
Uma forma com corpo de leão e a cabeça de um homem,
Um olhar vazio e impiedoso como o sol,
Está movendo suas lentas coxas, enquanto sobre toda ela
Oscilam sombras de indignados pássaros do deserto.
A escuridão cai novamente; mas agora eu sei
Que vinte séculos de sono profundo
Irromperam-se em pesadelo por um berço oscilante,
E qual besta bruta, sua hora finalmente chegada,
Arrasta-se em direção a Belém para nascer?
O falcão não pode ouvir o falcoeiro;
As coisas despedaçam-se; o centro não pode segurar
Mera anarquia é solta sobre o mundo,
A maré turva de sangue é solta, e em todos lugares
A cerimônia da inocência é afogada;
Aos melhores falta toda convicção, enquanto os piores
Estão cheios de intensidade apaixonada.
Certamente alguma revelação está próxima;
Certamente a Segunda Vinda está próxima.
A Segunda Vinda! Mal essas palavras são proferidas
Quando uma vasta imagem vinda do Spiritus Mundi
Dificulta minha visão: em algum lugar em areias do deserto
Uma forma com corpo de leão e a cabeça de um homem,
Um olhar vazio e impiedoso como o sol,
Está movendo suas lentas coxas, enquanto sobre toda ela
Oscilam sombras de indignados pássaros do deserto.
A escuridão cai novamente; mas agora eu sei
Que vinte séculos de sono profundo
Irromperam-se em pesadelo por um berço oscilante,
E qual besta bruta, sua hora finalmente chegada,
Arrasta-se em direção a Belém para nascer?
segunda-feira, 8 de março de 2010
Energia Negativa... Ou Rastro de Côrno Gordo.
Nas minhas “profundas” observações a respeito da natureza humana e seus mistérios tenho me deparado com um tipo de fenômeno que atinge a todos os homens esporadicamente em determinados momentos de sua vida adulta. O mistério da baixa carga energética, a qual prefiro chamar de “rastro de côrno gordo”... Uma fase chata que acontece sempre após o termino de um namoro. Quem é homem conhece bem. O sujeito em questão esta namorando, a mulherada se atira a seus pés, despencam de arvores, se tornam as rainhas da ousadia. Ficou solteiro? Desaparecem do mapa. É impressionante. Antigas fãs se tornam verdadeiros blocos de gelo e te tratam com uma indiferença colossal. Quando mais novos, nos angustiamos, descabelamos, despentelhamos... Em suma, nos corroemos em ansiedade e agonizamos em martírios solitários regados a cinco dedos. Até que então os céus se apiedam e enviam um anjo de saias pra nos salvar. E eis que, enfim salvos, fazemos o que nossa natureza masculina e falha manda, enfiamos o pé na jaca de novo e pisamos em um novo rastro de côrno. E haja côrno, afffffffffff.
domingo, 29 de março de 2009
Momentos Idos, Tempos Passados
Em nossos momentos vivi
Enquanto o momento passava
Se em momentos morri
Neles você se fez falta
Em momentos eu ria
Em momentos morria
A alegria que invade
O fim me despedaçava
Em momentos fui feliz
De momentos eu precisava
Com calma, devagar, sem dor
Os momentos se acabavam
Em momentos fui desespero
Em outros, dor e revolta
Em momentos eu fui amante
Em outros provei da derrota
Em momentos degustei da agonia
Agora vejo o quadro inteiro
Passou tão rápido e sem gosto
Que desconfio que o momento
Este momento nunca veio.
Enquanto o momento passava
Se em momentos morri
Neles você se fez falta
Em momentos eu ria
Em momentos morria
A alegria que invade
O fim me despedaçava
Em momentos fui feliz
De momentos eu precisava
Com calma, devagar, sem dor
Os momentos se acabavam
Em momentos fui desespero
Em outros, dor e revolta
Em momentos eu fui amante
Em outros provei da derrota
Em momentos degustei da agonia
Agora vejo o quadro inteiro
Passou tão rápido e sem gosto
Que desconfio que o momento
Este momento nunca veio.
sexta-feira, 20 de março de 2009
BALADA DO AMOR QUE DEVE SER PRA SEMPRE - Fábio Alexandre Batalha
Um amor de verdade
deve ter
uma mistura perfeita
de dor e prazer
Deve ter a pureza
dos tolos mortais
Deve ter colorido
E ser sagaz
Um amor pra durar
deve ter
equilíbrio perfeito
de loucura e razão
Deve ter a leveza
da imaginação,
e ser flexível,
compreensão
Se é pra durar, que seja pra sempre amar
Se é pra viver, que seja pra sempre e mais
Um amor pra durar
deve ser
de um jeito tão leve
que não da pra esquecer
Mas deve ter força
e ser natural
que só pensa no bem,
repele o mal
Um amor pra durar
tem de ser
de um jeito bonito
que não deixa doer
Deve ter o encontro
de olhos afins,
deve ter tua imagem
Um jeito afim
Se é pra durar, que seja pra sempre amar
Se é pra viver, que seja pra sempre e mais
deve ter
uma mistura perfeita
de dor e prazer
Deve ter a pureza
dos tolos mortais
Deve ter colorido
E ser sagaz
Um amor pra durar
deve ter
equilíbrio perfeito
de loucura e razão
Deve ter a leveza
da imaginação,
e ser flexível,
compreensão
Se é pra durar, que seja pra sempre amar
Se é pra viver, que seja pra sempre e mais
Um amor pra durar
deve ser
de um jeito tão leve
que não da pra esquecer
Mas deve ter força
e ser natural
que só pensa no bem,
repele o mal
Um amor pra durar
tem de ser
de um jeito bonito
que não deixa doer
Deve ter o encontro
de olhos afins,
deve ter tua imagem
Um jeito afim
Se é pra durar, que seja pra sempre amar
Se é pra viver, que seja pra sempre e mais
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